Capacitação em manejo florestal mobiliza comunitários na RDS Igapó-Açú

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Atividade na comunidade São Sebastião, na RDS Igapó-Açu, também identificou potencial para a produção de itens não-madeireiros

Preparar para o manejo florestal comunitário, apresentando os aspectos técnicos da atividade madeireira. Este foi o propósito do curso Gestão florestal para produção madeireira com uso de tecnologias florestais, promovido na comunidade São Sebastião, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Igapó-Açú, KM 260 da BR-319, no município de Careiro. A programação foi conduzida pelo Projeto Cidades Florestais – Madeira-Purus, do Idesam, entre os dias 26 e 27 de abril de 2021.

Na ocasião, foram abordados temas relacionados ao manejo florestal comunitário, como aspectos gerais da atividade; planejamento inicial para o manejo florestal; cronograma de execução de atividades; preparação da associação ou cooperativa e da área onde se pretende fazer o manejo; formação de um grupo de manejadores; e vantagens do manejo florestal para a região. “Ao explicar como seria executado o Projeto Cidades Florestais – Madeira-Purus na RDS Igapó Açú, algumas dúvidas foram surgindo, como, por exemplo, a situação fundiária local que, até o momento, ainda não está definida”, afirma Flávia Araújo, técnica do projeto.

Segundo ela, o motivo dessa preocupação é que os moradores não possuem Concessão de Direito Real de Uso (CDRU), coletiva ou individual. “Tal documento é imprescindível para o licenciamento ambiental de atividades produtivas, como é o caso do Plano de Manejo Florestal Sustentável”, complementa ela, ressaltando que a CDRU é um instrumento fundiário adotado no Estado do Amazonas para as unidades de conservação estaduais.

O interesse urgente da comunidade em resolver a situação fundiária, a propósito, é um dos resultados positivos proporcionados pela atividade, de acordo com Flávia. “Também foi selecionada a categoria de manejo que será utilizada por eles, que é a de menor impacto. Isto é, onde se busca reduzir os impactos da exploração e se assegura a sustentabilidade da produção florestal, por meio do planejamento da colheita e do monitoramento do crescimento da floresta”, informa a técnica.

Outros pontos definidos foram: a localização da área para o manejo, com dimensões de 1 mil hectares; a formalização de um CNPJ de cooperativa para o manejo florestal e movelaria comunitária, cujo processo já está em andamento na Junta Comercial do Estado do Amazonas (Jucea); e a definição de pontos focais, isto é, moradores que atuarão como porta-vozes da comunidade.

“Para mim, foi uma oportunidade de aprender algo novo e crescer profissionalmente. Já para a comunidade, foi um leque de conhecimentos na área sustentável”

– Angel Souza, morador da comunidade São Sebastião e um dos participantes da capacitação.

Engajamento

Ao todo, 26 moradores da RDS Igapó-Açu participaram do curso. Na visão de Flávia, o retorno dos comunitários superou as expectativas da equipe do projeto. “O grupo de manejadores entendeu como é feito o planejamento do manejo florestal comunitário, observando que, para conseguirmos o sucesso dessa atividade, dependemos de um bom planejamento (o que engloba a exploração florestal, o transporte e a comercialização da madeira), assim como a escolha dos materiais, dos equipamentos e da mão de obra”, ressalta.

Produtos não madeireiros

Na comunidade, após levantamento do projeto, foi identificada a produção de matérias-primas não-madeireiras, como castanha, açaí, buriti, patauá, bacaba, cupuaçu, pupunha, banana e tucumã. Também foi observado potencial para produzir copaíba, andiroba, babaçu, breu, murumuru, dendê, cumaru, soja, cipó-titica e ambé, mas sem relatos de que sejam comercializados pelos moradores.

Para próxima etapa do projeto, o Idesam está programando um curso de boas práticas extrativistas para a produção de copaíba na RDS. O curso está previsto para ocorrer no final do mês de junho de 2021 e contará com a participação do IDAM Central.


Por Lennon Costa/ Idesam

 

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