quarta-feira, outubro 20, 2021

Festival homenageia 100 anos de cinema realizado na Amazônia

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8ª Mostra de Cinema da Amazônia reúne acervo raro e faz retrospectiva com obras de diretores brasileiros e estrangeiros sobre a região

Curtas, médias, longas, documentários e cinejornais em uma retrospectiva dos últimos 100 anos de cinema feito na maior floresta tropical do planeta estão reunidos na 8ª Mostra de Cinema da Amazônia. A programação traz títulos nacionais e estrangeiros, e resgata filmes raros e produções inéditas, além de promover debates com grandes nomes do audiovisual brasileiro. O evento começa na quinta-feira (16), online.

A Mostra é um evento itinerante e gratuito que utiliza o cinema como ferramenta de intercâmbio cultural entre a Amazônia e o mundo. A primeira edição ocorreu em Paris (2005), e desde então já passou por cinco países, pelos oito estados da Amazônia Legal, exibiu 180 filmes e alcançou mais de 10 mil pessoas no Brasil e na Europa.

Em sua oitava edição, a programação será toda on-line e vai exibir obras produzidas de 1921 a 2021 – um panorama diverso sobre o cinema realizado na Amazônia brasileira ao longo de um século. “A Mostra sempre exibiu filmes feitos na Amazônia, e por realizadores amazônicos. Agora, optamos por ampliar essa proposta: vamos exibir filmes de diretores locais, nacionais e estrangeiros. Será uma espécie de mosaico formado por diversos olhares sobre a região, e de como a Amazônia é interpretada a partir de diretores de diferentes lugares”, destaca Eduardo Souza, coordenador da 8ª Mostra de Cinema da Amazônia, projeto contemplado pela Lei Aldir Blanc, via Secretaria de Cultura do Pará, e realização da Mekaron Filmes e Instituto Cultural Amazônia Brasil.

A programação é fruto de décadas de pesquisa sobre a produção audiovisual na região e traz obras que até então estavam restritas a museus e cinematecas, tornando-os acessíveis a qualquer lugar do mundo. “Vamos disponibilizar essas produções com qualidade e no formato para se ver em tela grande. Alguns filmes nós mesmos resgatamos a partir de telecinagem e digitalização de antigas películas. A ideia é fazer do canal da Mostra uma plataforma gratuita de cinema feito na Amazônia. Isso é de fundamental importância, tendo em vista que as pessoas estão cada vez menos conscientes sobre sua história e suas identidades culturais, especialmente no Brasil, vide a tragédia anunciada que foi o caso do incêndio da Cinemateca Brasileira. Por tudo isso, é fundamental enaltecer nossa memória e nosso patrimônio cultural, ambos muito bem representados no cinema nacional”, diz Eduardo.

Homenageados

Nesta edição, a Mostra homenageia três personalidades do cinema local: Silvino Santos, Líbero Luxardo e Pedro Veriano. Conhecido como o “cineasta da selva”, Silvino, nascido em Portugal, foi um incansável observador da Amazônia nas primeiras décadas do século 20. Fez inúmeros takes que registraram a fauna, a flora, os indígenas e expedições floresta adentro. Seu filme “No Paiz das Amazonas”, de 1921, abre a programação. “Antes deste filme, diversos registros cinematográficos foram feitos na região, especialmente na cidade de Belém, mas eles se perderam no tempo. O filme que abre a mostra é o mais antigo longa-metragem, ainda preservado, realizado na Amazônia”, explica Souza.

Também pioneiro do cinema na região, o paulista Líbero Luxardo se destacou por suas produções entre as décadas de 1960 e 1970, em Belém. “A técnica fotográfica de Líbero é absurdamente linda, sobretudo em ‘Marajó – Barreira do mar’, que estava estragando em uma caixa abandonada no Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP) e foi encontrado por pesquisadores locais e inteiramente restaurado”, diz Eduardo. Luxardo produziu mais de 20 obras, lançou livros e deixou um legado valioso para a memória da cidade. “Líbero tem uma importância imensa pelo registro que fez da cidade. São imagens que mostram muitas locações, como boates, praças, cemitério, ruas. Além disso, ele foi responsável pela produção do primeiro longa-metragem feito em Belém, ‘Um Dia Qualquer’. Líbero registrou uma cidade que não existe mais, e é muito bonito e tocante ver na tela como era nossa Belém até meados dos anos 70”, diz o pesquisador.

Serviço

8ª Mostra de Cinema da Amazônia, de 16 e 22 de setembro, online pelo canal do evento, nas redes sociais.


Fonte: G1/PA

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