quarta-feira, outubro 20, 2021

Na Amazônia, preservação e desenvolvimento podem (e devem) estar conectados

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Painel da Natura discutiu o potencial da floresta amazônica na geração de negócios e na produção de impacto socioeconômico

A cada ano, o Brasil deixa de ganhar pelo menos US$ 2 bilhões com a exportação de produtos compatíveis com a floresta amazônica. São itens como castanha-do-pará e peixes ornamentais de água doce, provindos de atividades que não prejudicam o ecossistema local. O cálculo, apresentado por Salo Coslovsky, professor associado da New York University, evidencia o potencial não explorado da região – e um caminho a ser tomado na busca pela sua preservação.

“Quando falamos [da atividade econômica] da Amazônia, pensamos em ferro, soja, carne, alumínio… São grandes commodities, intensivas em terra e que geram dinheiro. Mas esquecemos que há uma capacidade enorme, já instalada na região, de pessoas produzindo uma série muito maior de produtos”, disse ele, durante participação no painel “Amazônia Viva”, realizado pela Natura na quinta-feira (16). A estimativa é de um total de 950 tipos de mercadoria.

Apoiar a expansão dessas atividades, segundo ele, envolve investimento e estímulo direto do governo federal. Mas não apenas isso. Lideranças municipais, estaduais e independentes, como as cooperativas, também têm um papel importante e que deve ser valorizado.

Maria Soledad Hernandéz, Coordenadora do Instituto SINCHI de pesquisa científica na Amazônia Colombiana, concorda. Na Colômbia, onde a floresta corresponde a quase metade do território nacional, essa noção é ainda mais importante, segundo ela. “Mais do que discutir o que temos de fazer [para preservar a floresta], o importante é reconhecer o que já foi feito, assim como o conhecimento das comunidades locais”, disse, durante participação no painel. Parcerias desenvolvidas com o setor privado, ressalta, colaboram para apoiar produtores.

A visão também se aplica ao Brasil, como destaca Joaquina Barboza Malheiros, membro da Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha das Cinzas. A entidade reúne mais de 300 famílias, das quais 60% são representadas por mulheres. Ela avalia que, por meio das parcerias, é possível expandir a assistência técnica e financeira da comunidade. “O trabalho dessas mulheres muitas vezes é invisível. Com esse acompanhamento, elas podem administrar melhor a sua renda e ganhar qualidade de vida”, diz.

A Natura é uma das parceiras da associação. Neste mês, em parceria com o Mapbiomas, InfoAmazonia e Hacklab, a empresa também lançou a plataforma PlenaMata, dedicada a monitorar em tempo real o desmatamento na Amazônia. Segundo a diretora global de sustentabilidade, Denise Hills, a empresa hoje ajuda a preservar 2 milhões de hectares da floresta. O objetivo é elevar o número para 3 milhões até 2030.

“Existe uma vocação para a Amazônia que une desenvolvimento, impacto socioambiental positivo e preservação e valoração da biodiversidade”, diz ela.


Por Ana Laura Stachewski | Época Negócios
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