ONGs pedem a Biden que pare de negociar a ‘portas fechadas’ com Bolsonaro sobre meio ambiente

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Em carta enviada ao presidente americano, cerca de 200 organizações afirmam que decisões sobre o meio ambiente e Amazônia devem envolver sociedade civil e populações locais, e que Bolsonaro é ‘pior inimigo’.

Cerca de 200 organizações não governamentais ligadas ao meio ambiente enviaram carta nesta terça-feira (6) ao presidente norte-americano, Joe Biden, na qual criticam negociações “a portas fechadas” com o Brasil sobre a Amazônia.

Além disso, a carta aponta que negociações e acordos entre os países que não levem em conta a sociedade civil, os governos subnacionais, a academia e populações locais representam endosso ao que chamam “tragédia humanitária e ao retrocesso ambiental e civilizatório imposto por Bolsonaro”.

O documento também defende que nenhum acordo deve ser firmado com o governo do presidente Jair Bolsonaro antes que o desmatamento na Amazônia seja reduzido aos níveis determinados pela Política Nacional sobre Mudança do Clima.

“Qualquer projeto para ajudar o Brasil deve ser construído a partir do diálogo com a sociedade civil, os governos subnacionais, a academia e, sobretudo, com as populações locais que até hoje souberam proteger a floresta e todos os bens que ela abriga”, completa trecho da carta.

Em 2020, o desmatamento na Amazônia foi o maior nos últimos dez anos, como mostra o vídeo acima. Cerca de 8 mil quilômetros de floresta foram destruídos entre janeiro e dezembro do ano passado. É como se um espaço que equivale a cinco cidades de São Paulo desaparecesse.

Segundo o Observatório do Clima, uma das entidades que assina a carta, os Estados Unidos mantém conversas com o Brasil a portas fechadas sobre o meio ambiente há mais de um mês. Um acordo entre os dois países deverá ser anunciado ainda em abril.

Na carta, as entidades lembram o discurso de campanha de Joe Biden, que prometeu lutar pela democracia e pelo meio ambiente, e cobram que o presidente americano se posicione.

As entidades lembraram na carta enviada à Biden os retrocessos ambientais que vem ocorrendo durante o governo Bolsonaro, como o sucateamento de órgãos de fiscalização ambiental e combate ao desmatamento e queimadas, como o Ibama, e os projetos que tentam legalizar a mineração e a construção de hidrelétricas em terras indígenas na Amazônia.

“O governo Bolsonaro tenta a todo custo legalizar a exploração da Amazônia, trazendo prejuízos irreversíveis para nossos territórios, povos e para a vida no planeta”, disse Alberto Terena, coordenador- executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, outra ONG signatária da carta.

“Quando o Cerrado, a Amazônia ou o Pantanal queimam, é o nosso povo que queima. O governo Bolsonaro faz acordos bilaterais de destruição da natureza que não cumprem o que está na Constituição; ele não respeita e não demarca nossos territórios”, afirmou Biko Rodrigues, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas.

Foto: Rafael Aleixo/Setec/Divulgação

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