quarta-feira, outubro 20, 2021

Planta misteriosa da Amazônia ganha classificação quase 50 anos após descoberta

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Botânicos anunciaram que, finalmente, classificaram uma planta amazônica encontrada no Peru há quase 50 anos. A planta permaneceu todo esse tempo no Field Museum em Chicago, nos Estados Unidos, e foi batizada de Aenigmanu alvareziae em homenagem ao local onde foi descoberta em 1973.
Os cientistas contam que só receberam investimento para estudar a planta uma década depois da sua descoberta. Quando aconteceu, a espécie passou por testes de DNA, mas infelizmente o estado da planta não ajudou na preservação do material genético, que não estava intacto. Então, a equipe de cientistas entrou em contato com a pesquisadora Patricia Álvarez-Loayza em 2015, do Parque Nacional de Manu.
A cientista buscou por outro exemplar da planta no parque e encaminhou aos pesquisadores para que o processo continuasse. Através da análise do DNA, os botânicos descobriram que a planta faz parte da família Picramniaceae, mesmo que não tivesse semelhança com as parentes. A amostra, então, foi enviada a Wyat Thomas, especialista da espécie em Nova York.
Thomas diz que o primeiro instinto foi acreditar que houve um erro na análise de molécula ou que teria recebido a amostra errada. O especialista conta também que diversas características não fazem sentido com as plantas às quais ela está relacionada, como os detalhes das folhas, por exemplo, que em vez de serem compostas, eram simples. Além disso, a base de cada folha conta com duas estípulas, o que as outras plantas da família das Picramniaceae não costumam ter. Após analisar as flores da planta mais de perto, percebeu que elas eram parecidas com outro gênero identificado dentro da família Picramniaceae anteriormente.
Thomas diz que a descoberta ressalta a importância da conservação das espécies, uma vez que a biodiversidade global está a cada vez mais ameaçada. “Parte do nosso trabalho como seres humanos no planeta é entender tudo o que está acontecendo nele. Se dissermos que as florestas tropicais são diversas, como nós sabemos isso? É porque pessoas como nós, botânicos do Field Museum e do New York Botanical Garden, estamos catalogando essa diversidade”, completa o cientista.
O estudo está disponível na Wiley Online Library.

Por Natalie Rosa | Editado por Luciana Zaramela

Fonte: Popular Science, EurekAlert

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