quarta-feira, outubro 20, 2021

Redução e compensação de carbono são chaves para um perfil ESG

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Iniciativa do Idesam auxilia empresas que buscam a implementação de boas práticas ambientais, sociais e de governança

Diante da profunda crise climática que o mundo atravessa, boas práticas ambientais, sociais e de governança — os chamados critérios ESG — são elementos essenciais para empresas que buscam um perfil mais atento aos próprios impactos e com uma maior presença de mercado. Entretanto, com o recente crescimento dessa tendência e, mais especificamente, do elemento meio ambiente, muitas empresas não sabem por onde começar sua jornada rumo à mitigação e redução do impacto.

É onde entram iniciativas como o Programa Carbono Neutro Idesam. Criado em 2010 para compensar inicialmente as emissões do próprio instituto, o PCN evoluiu para um serviço, que permite a pessoas, empresas e iniciativas se responsabilizarem pelos impactos que geram no planeta, por meio da neutralização de emissões de gases de efeito estufa (GEE).

“Trabalhamos com o plantio de árvores nativas no Estado do Amazonas, reflorestando áreas degradadas com sistemas agroflorestais, modelo em que, além de ter o plantio de novas árvores, também beneficia as famílias locais, pois as espécies utilizadas podem ser aproveitadas por quem toma conta destas florestas”, explica Victoria Bastos, coordenadora do Programa de Mudanças Climáticas do Idesam.

De um modo geral, a sociedade tem enxergado de forma mais clara as consequências da crise climática global, seja por mais informação disponível sobre o assunto ou pelos fenômenos climáticos descompassados recentes. Segundo Victoria, como consequência, há reflexo deste tipo de preocupação nos setores da economia, que não só buscam atender às exigências do público consumidor, como também enxergam, com mais clareza, os riscos que uma economia baseada em atividades altamente poluidoras gera.

“Uma recente pesquisa realizada pela Universidade de Oxford analisou que 21% das 2 mil maiores empresas públicas do mundo, responsáveis por vendas de quase US$ 14 trilhões, estabeleceram compromissos de reduzir ou compensar suas emissões, acompanhando o movimento de iniciativas Net-Zero, processo pelo qual empresas ou governos (nacionais, estaduais ou regionais) estabelecem metas para descarbonizar suas operações reduzindo e compensando emissões de gases de efeito estufa para atingir a neutralidade, em determinado período ou data-limite”, exemplifica Victoria.

Em suma, uma melhor gestão do carbono dentro das empresas traz economia a longo prazo e maior resiliência para as empresas. “As que não buscam reduzir suas emissões e insistem em manter operações muito dependentes em fontes de energia não renováveis são, provavelmente, as que não serão capazes de se adaptar à nova economia — uma economia que percebe os grandes impactos ambientais quando são usadas fontes altamente poluidoras, e que enxerga o risco de se sustentar em fontes de energia não renováveis, ou seja, com prazo de validade”, complementa a coordenadora do Idesam.

Gratidão à natureza

Fundadora da Bergamia Biocosméticos, organização que aderiu ao PCN do Idesam, Anna Paula Oliveira revela que o benefício mais evidente é a longo prazo, ajudando e compensando a natureza pelas emissões. “Já sobre o consumidor, acreditamos que ele passa a nos ver com outros olhos. Quando ele vê que uma marca é consciente com o meio ambiente e faz algo a respeito para melhorar e compensar, nos dá mais credibilidade”, avalia a empresária.

Passo a passo

Questionada sobre os passos mais básicos para uma empresa se ajustar aos critérios ESG, Victoria estabeleceu a lista a seguir:

  • Diagnosticar as fontes de emissão da organização, isto é, as atividades da empresa que emitem gases de efeito estufa;
  • Definir os limites operacionais e organizacionais, e o período em que serão analisadas as fontes de emissão diagnosticadas;
  • Inventariar estas fontes de emissão em uma ferramenta (o Inventário de Emissões) que permita a coleta de informações que servirão como base para gerar o volume de emissões da empresa de acordo com os limites e período definidos;
  • Coletar os dados e informações de consumo referentes às fontes de emissões inventariadas;
  • Calcular o volume de carbono equivalente emitido pelas fontes de emissões;
  • Analisar o resultado do inventário para traçar estratégias claras e definir as medidas que serão tomadas para a mitigação do impacto por geração de emissões;
  • Reduzir as emissões nas fontes de emissão em que podem ser empregadas tecnologias de baixo carbono ou de menor potencial para emissão, como, por exemplo, utilização de energia renovável ou substituição de combustível no frete por frota que possua combustível de menor impacto em termos de liberação de gases de efeito estufa;
  • Compensar as emissões que não podem ser reduzidas sem prejudicar as operações da organização.

“Quando se reduziu o que pode ser reduzido, aí olha-se para a compensação: emissões que não posso reduzir, irei compensar, ou seja, neutralizar. E então existem vários mecanismos para fazer essa compensação, que vão desde o investimento em projetos que realizam o plantio de árvores com reflorestamento até o investimento em compra de títulos no mercado de carbono, por exemplo”

– Victoria Bastos, coordenadora do Programa de Mudanças Climáticas do Idesam

 

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